Construído em 1937 por iniciativa de moradores, remete à história de uma jovem indígena que mergulhava diariamente da pedra, sempre acompanhada por um gato-maracajá. Em certo dia, ela não retornou do mergulho, e o animal teria permanecido ali, esperando por ela até a morte.
As presenças indígenas na cidade, apesar das sucessivas tentativas de apagamento, podem ser notadas, por exemplo, em topônimos. Na Ilha do Governador não é diferente. Nos bairros Cocotá, cujo nome vem do tupi e remete a “roças” ou “terras cultivadas”, e Tauá, que carrega interpretações como “barro vermelho”, “argila amarela” ou “cidade antiga”. Além desses, Tapera, um morro localizado no bairro da Praia da Bandeira, significa “aldeia abandonada”.
Antes dos afogamentos e aterramentos, flutuavam no arco da Baía de Guanabara muitas ilhas e ilhotas, ao menos 127 ilhas, como as avistadas a partir desta praia (Ilha Rasa, a Ilha do Mestre Rodrigues e a Ilha das Palmas). Para os povos originários, serviam como pontos de pesca, coleta de mariscos e descanso durante deslocamentos pelo mar. Também podiam funcionar como locais estratégicos de observação.
Opera o recebimento, armazenamento e envio de gás liquefeito de petróleo (GLP) e derivados de petróleo. A Baía de Guanabara já sofreu acidente grave relacionado a essas operações, o que nos possibilita refletir sobre a importância da segurança ambiental que é uma das prioridades nas lutas dos povos indígenas.
Nos convida a refletir sobre as religiosidades afro-brasileiras sobre as interações entre povos indígenas e africanos no contexto colonial. O contato entre os dois grupos favoreceu trocas culturais, sociais e religiosas que deixaram marcas até os dias de hoje. A religiosidade é um dos campos onde essas interações se tornaram mais visíveis, quando a resistência espiritual frente às tentativas de imposição do catolicismo levou ao desenvolvimento de sincretismo religioso.
A denominação da avenida remete à Ilha de Paranapuã, nome original do território, quando habitado pelo povo Temiminó, que vivia próximo a fontes de água doce, em locais que hoje correspondem aos bairros da Freguesia, Portuguesa, Cacuia, Zumbi e Ribeira. A convivência com outros grupos indígenas era marcada por disputas, especialmente com os Tupinambá. A localização estratégica da Ilha e sua proximidade com o litoral da Baía de Guanabara fizeram dela uma das primeiras áreas de efetiva ocupação por parte dos colonizadores portugueses.
Símbolo da invasão portuguesa, a paróquia foi criada em 1710, sendo a mais antiga da Ilha do Governador. A Ilha então passou a ser sede da Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda. Sua edificação, preservada em grande parte desde 1743, é reconhecida por pesquisadores como a construção mais antiga ainda existente na região. Em 1938, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Lima Barreto foi um homem negro, escritor, jornalista e cronista brasileiro, ativo no período da Primeira República. Chegou à Ilha do Governador aos nove anos de idade, onde viveu até os 21 anos. Denunciava, em suas obras, o a exclusão das camadas populares nos projetos republicanos que aprofundaram as desigualdades e consolidaram um modelo de nação que excluía aqueles que haviam sustentado a economia colonial por mais de trezentos anos, assim como considerava os povos indígenas obstáculos ao progresso nacional.
No percurso pela orla do bairro da Freguesia, é possível observar camadas da história urbana da Ilha do Governador. No final do século XIX, o perfil da Ilha começou a mudar. As terras, antes destinadas à produção, passaram a ser loteadas. Ainda podemos observar casas erguidas entre as décadas de 1930 e 1960, com fachadas que preservam elementos típicos desses períodos, quando as construções dos imóveis eram voltadas para a convivência comunitária.
A Ilha do Governador se tornou um local estratégico para a atuação das Forças Armadas devido à sua localização. Isso contribuiu para a instalação de estruturas militares, como o complexo naval. A partir dessa instituição, vamos refletir sobre uma outra atuação militar contra os direitos indígenas que ocorreu na Ilha do Governador durante a ditadura civil-militar (1964-1985), a Casa do Índio.
Os Temiminós, indígenas que viviam na Ilha do Governador, também ficaram conhecidos pelos tupinambás, seus inimigos, como maracajás. Maracajá significa gato-do-mato em tupi e era um apelido pejorativo usado para identificar o povo e a região, associando-os aos felinos que habitavam o local. O nome também está ligado ao cacique Maracajaguaçu, cujo nome quer dizer “grande gato”, importante líder dos Temiminós.
Mesmo sendo estruturado no formato heráldico português, o brasão da Ilha do Governador carrega a memória dos povos originários que habitaram o território muito antes da colonização. No escudo, o arco e a flecha representam a presença dos Sambaquis e dos Temiminós. Os demais símbolos representam outras etapas da formação histórica da Ilha.
Durante obras no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), foi descoberto um sambaqui de cerca de 4 mil anos, um raro vestígio dos primeiros habitantes da Baía de Guanabara. Localizado a aproximadamente 4 metros de profundidade, o sítio arqueológico continha conchas de ostras e mariscos, ossos, lascas de quartzo e um artefato em pedra polida chamado "quebra-coquinho".
O bairro Galeão na Ilha do Governador foi assim nomeado por causa do galeão português Padre Eterno, um grande navio de guerra e comércio, construído na região no século XVII. Considerado, à época, o maior navio do mundo, foi construído com mão de obra escravizada que, nesse período, era composta por africanos e indígenas.
O Rolé da Ilha é um projeto cultural que resgata e celebra a história da Ilha do Governador por meio de caminhadas históricas, oficinas, palestras e visitas, promovendo o patrimônio e a memória local. Para mais informações, siga na rede social (Instagram) @roledailha8.
Autoria do jornalista Rafael Freitas, o livro aborda a história da Guanabara Tupinambá e suas aldeias ancestrais, a disputa entre portugueses e franceses, o genocídio contra os nativos e as batalhas que marcaram a fundação do Rio de Janeiro.
Também de autoria de Rafael Freitas, este livro narra a biografia do líder indígena temiminó Arariboia, que teve papel fundamental na fundação do Rio de Janeiro.