Historicamente, os parques urbanos surgiram como resposta ao crescimento acelerado das cidades, aos problemas de saúde pública, à necessidade de lazer da população e ao contato com a natureza diante da deterioração ambiental. Na entrada do Parque Realengo, o pórtico remanescente da antiga Fábrica de Cartuchos se configura como um lugar de memória. Ele guarda as marcas de um tempo de produção bélica, mas, ao ser ressignificado no presente, anuncia a transformação do espaço em área de lazer, convívio e preservação ambiental.
A discussão sobre justiça climática também envolve a apropriação digital, que fortalece o protagonismo das populações mais vulneráveis, permitindo sua participação em decisões e o acesso a recursos que contribuem para cidades mais sustentáveis. Nesse sentido, as naves promovem educação ambiental, tecnologias sociais e inovação comunitária.
O Parque Realengo está situado em parte do terreno onde foi construída a Fábrica de Cartuchos de Realengo (1898-1977). Durante a execução das obras do Parque, quatro ruínas da antiga fábrica foram demolidas, contrariando a proposta inicial para a preservação do circuito histórico e construção de um centro de memória a partir delas.
Foram inspiradas no Gardens by the Bay de Singapura e por meio delas há exibições de show de luzes e música para os visitantes. No entorno, a área molhada se tornou um grande atrativo pelo espelho d'água com brinquedos que esguicham água, garantindo o refresco nos dias de calor.
O terreno do parque foi ampliado para além de seus limites originais, incorporando a calçada lateral esquerda. Nesse espaço, em 2019, coletivos locais criaram a Ocupação Parquinho Verde, que transformou um lixão em área comunitária com horta, composteira, chuveirão, churrasqueira e espaço para eventos. A memória dessa ocupação, hoje localizada onde estão a Praça de Alimentação, parte das quadras e dos banheiros, reafirma a luta pelo direito ao lazer e pela criação do parque público.
A promoção de atividades físicas em ambientes urbanos planejados de forma sustentável, com áreas verdes e infraestrutura adequada, também se relacionam à justiça climática, pois o calor excessivo, a poluição do ar e desastres naturais atingem de forma desproporcional às populações vulneráveis, aumentando riscos à saúde.
As hortas urbanas fazem parte do direito à cidade e costumam ser mantidas por moradores, associações comunitárias, escolas e coletivos. Integrada ao projeto “Hortas Cariocas” administrada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, realiza colheitas periódicas para a população cadastrada.
A placa se tornou símbolo da reivindicação para que todo o terreno seja transformado em parque. Metade da área ainda não foi ocupada, e a mobilização busca garantir a preservação da vegetação e a ampliação do espaço público. O movimento convida a refletir sobre a importância de reivindicar, também em outros bairros, benefícios que assegurem lazer, cultura e qualidade de vida.
Os grafiteiros transformam os muros das cidades em galerias a céu aberto. As casas no entorno do Parque Realengo, cerca de 50, foram grafitadas pelo artista Wagner Trancoso. A partir desta, podemos refletir sobre as outras manifestações artísticas do bairro que podem encontrar no parque um espaço de convergência.
Em 2022, mais de 40 comércios foram demolidos abruptamente, sem aviso adequado, prejudicando famílias que dependiam da renda, apesar do projeto original do parque prever execução em fases. Em resposta à mobilização dos movimentos locais, a área foi reconstruída antes da conclusão do parque, dando origem ao Mercado Externo, com 11 das 30 lojas planejadas. O mercado já recebeu diversos prêmios de arquitetura, demonstrando a importância de projetos arquitetônicos de qualidade nas periferias.
A justiça climática oferece o marco ético que orienta os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (Organização das Nações Unidas) estabelecidos em 2015 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas como parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Foram criados para orientar políticas e ações globais que promovam desenvolvimento econômico, inclusão social e proteção ambiental.
Você acha que desta maneira está melhor? Na história da cidade, os parques e áreas verdes quase sempre foram construídos em regiões mais privilegiadas. A criação do Parque Realengo ganha um sentido especial porque reafirma o lazer como um direito fundamental de todos os cidadãos e não um privilégio restrito a alguns bairros. A conquista foi fruto da mobilização popular, já que o terreno estava destinado, a princípio, à construção de habitações para militares, conforme projeto da Poupex. Mais tarde, esse plano foi reduzido à metade e, posteriormente, descobriu-se que o parque ocuparia somente 50% da área.
A Agenda Realengo 2030 é um coletivo organizado e também um plano de ação popular. Um documento que pensa políticas públicas para o bairro de Realengo construído a partir da escuta ativa dos moradores. Para mais informações, siga a Agenda Realengo 2030 nas redes sociais e faça download do documento.
Em Realengo, estamos próximos a um dos maiores parques urbanos do mundo, o Parque Estadual da Pedra Branca (três vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, perpassa por 17 bairros da cidade, 10% de sua área total), criado em 1974 para preservar a biodiversidade.
O uso das churrasqueiras no Parque Realengo deve ser agendado previamente no setor administrativo. Algumas das regras são: é permitido apenas o uso de copos, pratos e talheres descartáveis. Garrafas de vidro, facas e outros objetos cortantes são proibidos.
Para contemplar uma outra área verde de Realengo, a partir da Rua do Governo pode-se chegar ao Aqueduto (um trecho de 350 metros de extensão) e a Cachoeira do Barata, no Parque Estadual da Pedra Branca. De lá é possível ter uma visão fascinante do bairro.
É uma plataforma digital para entender a crise climática. Com linguagem acessível, ilustrações e capítulos que conectam passado, presente e futuro, busca descomplicar o tema. Professores, estudantes, comunicadores e gestores encontram recursos para compreender impactos e soluções. Acesse eunice.oc.eco.br e compartilhe.