E não é que Santa Cruz guarda surpresas além da imaginação? Para o estudante da Estácio Deividson Freitas dos Santos, 26 anos, morador de São Gonçalo, o trajeto realizado pelo #RoléCarioca pela localidade mais a oeste do Rio de Janeiro revelou um bairro diferente do que imaginava. Bem residencial e com ruas tranquilas, em meio a um parque industrial e marcos de diversas épocas da nossa história: a fazenda jesuítica que virou palácio real e imperial, os sobrados da virada do século XX, a vila operária e o que restou do Matadouro.
- Como você tomou conhecimento do #RoléCarioca?
Pelos professores da faculdade e o coordenador do curso de História do Campus de Alcântara, Maurício Bertola.
- Em quais Rolés você esteve?
Fui a um no ano passado e, neste ano, só faltei ao de Niterói. Hoje vim acompanhado por minha cunhada, Mariana Siqueira Castro, que veio pela primeira vez e pretende cursar história também.
- O que você não esperava encontrar aqui em Santa Cruz e te surpreendeu?
A questão do bairro. A gente tem um ideia de Santa Cruz, aquela velha história: o fim do Rio, longe pra caramba. O que pude perceber andando nas ruas é uma certa tranquilidade, um bairro bem residencial, agradável de se morar, aparentemente. Foge do senso comum pra quem está 'lá do outro lado', de que é um lugar perigoso. Eu achava que Santa Cruz fosse um pouco assim.
"Cheguei a Santa Cruz em 1981. Eu tinha entre 7 e 8 anos de idade. Até aquele dia, eu nunca havia ouvido falar do bairro. A minha família, como a maioria das famílias da periferia do Rio, era constituída de pais que não nasceram na cidade maravilhosa. Meu pai veio da Paraíba tentar a vida no Rio, e minha mãe do interior de Minas Gerais. Juntos perambularam por vários bairros da cidade, morando de aluguel. Maré, Estácio, Tijuca e finalmente Santa Cruz. No bairro da zona oeste puderam realizar o sonho da casa própria. O início dos anos 80 marca a ida de um grande contingente de moradores das favelas centrais do Rio rumo à zona oeste do município. Santa Cruz foi o bairro que mais recebeu esses novos moradores. O conjunto habitacional Doutor Octácilio Camará, comumente chamado de “Cesarão”, era conhecido como o maior conjunto da América Latina.
O Cesarão naquele tempo tinha as casas pintadas de branco. Olhando do alto do morro careca parecia um cemitério, que aos poucos fora ganhando cor e vida através da intervenção dos moradores. As casas eram tão parecidas que, no primeiro dia, ao dar uma volta de bicicleta, me perdi e levei um bom tempo para encontrar a minha casa. Fomos morar na Rua 50. No início, achei estranho uma rua ser chamada de número, mas depois acostumei. Ali iniciei meus estudos, fiz meus principais amigos e construi a minha identidade. Lembro que a nossa casa foi uma das primeiras a ter telefone. A maioria das vezes que ele tocava era para dar recado a algum vizinho. O fio do telefone nos ligava diretamente aquelas pessoas. Algumas notícias eram boas, outras nem tanto, mas o dever de ir à casa do vizinho chamar para atender o telefone era recompensado pelas várias mães que fui ganhando. No Cesarão nenhum filho tinha só uma mãe. Dona Irene, Dona Eni, Dona Fátima, Dona Creuza, Dona Norma, Dona Neide, Dona Baianinha e Dona Glória (minha mãe de sangue). Foram tantas mães para cuidar da gente que era difícil se perder. O Cesarão era o maior conjunto de mães por metro quadrado que existiu. Em cada rua, uma mãe tomava conta da gente. Alguns filhos perderam-se pelo caminho, outros extrapolaram os limites imaginários do bairro e foram dialogar com a cidade toda.
Cresci ouvindo que Santa Cruz era um lugar muito longe e que lá não tinha nada para fazer. Era chamado de bairro dormitório. Por um bom tempo da minha adolescência eu também acreditei nisso. Mas o teatro me salvou! Costumo dizer que onde o poder público não chega, o tráfico e as igrejas chegam. No Cesarão tem uma igreja em cada esquina, mas foi através da paixão de Cristo que descobri o teatro. Fazíamos uma paixão que circulava por todo conjunto, e foi através do grupo jovem da igreja que migrei para o grupo de teatro do bairro. Justamente o teatro que me levou a conhecer melhor Santa Cruz e circular por todo Rio de Janeiro. Foi o teatro que me abriu os olhos para ver que o meu bairro não era exatamente um lugar sem nada. Descobri que ali já fora moradia da família real e que os jesuítas construíram uma ponte que foi uma fantástica obra de engenharia para época. Outro ponto interessante que fiquei feliz de saber é que tínhamos na Base Aérea de Santa Cruz o Hangar do Zeppelin. Como ele, só existiu três no mundo, e o único que ainda continua de pé é o do nosso bairro.
Saber a história de Santa Cruz foi muito importante na afirmação da minha identidade como morador. Deixei de ser periferia para ser centro. Por isso ao invés de continuar indo para a zona sul bater cabeça nos teatros com tantos atores querendo estar lá, resolvi fundar um grupo no bairro. A Cia do Invisível nasceu com o objetivo de dialogar diretamente com o bairro. Criamos o projeto “Café com Machado” em que levamos uma peça de Machado de Assis para dentro das casas dos moradores. Levar teatro para dentro das casas acabou com a falsa ideia de que as pessoas de Santa Cruz não gostavam de teatro. O que faltava era teatro para elas! O que buscávamos não era catequisar ou tratar aquelas pessoas como sem cultura, mas deixá-las renovar o nosso teatro. Os debates depois das apresentações foram sempre profundos e verdadeiros. Aprendíamos muito com cada apresentação e com as reflexões dos moradores. Inclusive, uma das apresentações foi na casa de uma empregada doméstica que trabalhava em Copacabana e que ouviu da sua patroa que lá na casa dela nunca tinha acontecido uma peça. Ela retrucou dizendo que se quisesse ela podia assistir na casa dela em SANTA CRUZ!
Santa Cruz já teve cinema, hoje não tem mais, mas tem um dos melhores carnavais de rua do Rio e é berços dos Clovis da cidade. Tem grupo de dança, tem Mandioca, tem pipa, tem cine clube, tem vários grupos de teatro, tem Funk, tem pagode, tem a costureiras que bordam o bairro como tema, tem campo de futebol, tem praças, tem meninos e meninas com brilho nos olhos doidos para fazerem um monte de projetos. Tem mães, pais e filhos. Santa Cruz não é o último bairro do Rio, é a porta de entrada da cidade."
Alexandre Damascena é ator, escritor e diretor do Teatro Municipal de Itaguaí. Morador de Santa Cruz desde 1981, foi criado na comunidade do Cesarão e formou-se pela Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna. Criou a Companhia do Invisível, grupo teatral que mescla artes visuais, performances, intervenções e filosofia periférica, e promove o projeto "Café com Machado", que leva peças de Machado de Assis a casas de Santa Cruz. Escreveu este depoimento sobre a região onde vive e atua especialmente para o #RoléCarioca. :)
O RoléCarioca compartilha o pensamento de Odalice Miranda Priosti, museóloga do NOPH- Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica, de que é possível reconstruir uma cidade a partir de sua rua, de seu quarteirão, de seu bairro. Foi a partir de um embrião criado pelo NOPH, que a experiência santacruzense de ecomuseu tornou-se referência brasileira no campo das novas museologias, em que a tradicional trilogia associada a museus (prédio, coleção, público) cedeu lugar a um museu diferente, um laboratório de identidade cultural que valoriza o território, o patrimônio e a população/comunidade, um museu sem paredes que merece uma visita.
Entre as ações realizadas pelo NOPH, estão visitas mediadas ao Palacete Princesa Isabel e suas exposições, além da constituição de um acervo comunitário a partir de doações espontâneas e da promoção de artistas locais e estudos e pesquisas sobre Santa Cruz.
Convidamos a educadora que trabalha desde 1992 na valorização da história e do patrimônio existente em Santa Cruz para indicar lugares que valem uma visita na vizinhança do trajeto do #ROLÉCARIOCA do mês de junho.
Onde comer Restaurante Stambul - "Dentro do hipermercado Extra de Santa Cruz, ou a Rua do Império, que vira um point gastronômico aos finais de semana. Também sugiro o Espeto´s, na Avenida Areia Branca, próximo ao Largo do Bodegão, que tem sempre uma atração musical"
Stambul - Estrada Padre Guilherme Decaminada, 2385 LJ4A
Tel: (21) 3305-9097
Espeto´s - Avenida Areia Branca, 09
Tel: (21) 3627-1127
Onde contemplar o bairro Morro do Mirante - "Ponto mais alto de Santa Cruz, é possível ter uma vista panorâmica do bairro até a Baía de Sepetiba. Já foi chamada de atalaia dos Jesuítas. O centro do bairro também é rico em antigos solares e casarões, como a casa do senador Julio Cesário de Melo (atual Associação Ser Cidadão)"
R. Fernanda, 140 - Santa Cruz
(21) 2221-8830 www.sercidadao.org.br/
Onde ir com a família Ponte dos Jesuítas - "O Rio Guandu, próximo ao monumento histórico da ponte dos jesuítas, é perfeito para um piquenique no gramado . E a Cidade das Crianças Leonel Brizola, na rodovia Rio-Santos, possui um planetário, parque aquático, mini zoo, entre outras áreas de lazer"
Rodovia Rio-Santos km.1 www2.rio.rj.gov.br/smel/CidadeDasCriancas.html
Onde voltar sempre Nave do Conhecimento e Palacete Princesa Isabel - "O palacete é a nossa sede, onde realizamos exposições e cujo prédio é tombado e já foi sede administrativa do antigo Matadouro e colégio Princesa Isabel"
Nave do Conhecimento Santa Cruz - Rua Álvaro Alberto com Rua Barão de Loreto
Tel: (21) 3251-4145 / 4148 http://www.pracadoconhecimento.org.br/novo/pracas-e-naves
Palacete Princesa Isabel - Rua das Palmeiras Imperiais, s/n
Tel: (21) 3365-4923 http://www.quarteirao.com.br/palacetepi.html
Odalice Miranda Priosti é museóloga, educadora e membro da equipe de dinamização do NOPH- Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica desde 1992. É autora dos livros "Santa Cruz - Raízes de um ecomuseu" e "Ecomuseu, Memória e Comunidade - Museologia da libertação e piracema cultural", que apresentam o bairro como território da 1ª experiência brasileira de ecomuseu, surgida com o NOPH no ano de 1983 e mantida genuinamente pela comunidade local.
O Rio está carente de gente que lembre sua história! É o que afirma a historiadora Karina Cancella, 28 anos, que está terminando seu doutorado em História do Esporte e não vê muitasdisciplinas específicas sobre a cidade do Rio de Janeiro em sua área de formação. Para ela, o #RoléCarioca foi uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos: depois do passeio pelo Catete, declarou-se enriquecida. Essa é a proposta do Rolé: ajudar nesse processo de melhoria e valorização do conhecimento.
- Como você ficou sabendo do RoléCarioca?
Foi pelo evento do Facebook. Alguns amigos compartilharam, começaram a enviar convites e achei interessante. Resolvi vir pela primeira vez e experimentar como é.
- O Catete é um local histórico bastante conhecido. Você já tinha feito algum passeio histórico por essa região?
Por essa área não. Fiz um tour guiado histórico uma única vez, pelo centro do Rio.
- Durante o passeio, alguma coisa te chamou a atenção? Algum fato/personagem que você desconhecia, o que foi novidade para você?
Bastante coisa! Na história, quando a gente se especializa e foca em determinados assuntos, é difícil ter uma visão global. E ainda há uma carência muito grande sobre a história do Rio de Janeiro, principalmente na formação da gente. Não temos muitas disciplinas específicas sobre isso. Aqui foram várias informações novas: os elementos que o professor falou no Largo do Machado, sobre a urbanização da área, as mudanças que foram acontecendo ao longo do tempo... Fiquei felicíssima de sair por aqui hoje, estou muito mais enriquecida.
- Você tinha ideia que haveria um evento no final do passeio ?
O professor comentou que haveria uma surpresa, mas não o que era. Adorei!
I o banquete está servido
nas paredes
no teto
nas portas dos armários
e no vazio dos pratos
naturezas mortas
se precipitam
frutas peixes aves
e pequenos mamíferos
ocupam o vazio
diana! senhora cheia de graça
deusa da caça e de toda fartura
livrai-nos da fome e da miséria
estamos fartos de comida imaginária
II a mesa
o aparador
o armário-cristaleira
os espelhos das fechaduras
e o relógio impertinente
são testemunhas de ceias
dispersas no tempo
do império à república
eles estavam lá
naquela última noite
viram e ouviram tudo
getúlio e seus ministros
momentos lentos
horas irrespiráveis
contradança do tempo
de caçador à caça
Quarto do Presidente
noite de agosto
as bruxas entram no palácio
crise e drama invadem o catete
a lua se estende na calçada
o corvo circula livre
espreita a janela do quarto
e oferece a saída
para um homem sem saída
- aceite o beijo da morte
- aceite a bala no peito e diga:
nunca mais
nunca mais
a saída a todos condena
a repetir para sempre:
nunca mais
nunca mais
Telefone do Presidente
o telefone
preto
tocou
tocou
até calar
a última conversa
ninguém soube
perdeu-se
no silêncio do tempo
Mario Chagas, museólogo, professor da UniRio e Vânia de Magalhães, historiadora, ambos poetas e funcionários do Museu da República, usaram a verve poética para exaltar recantos da instituição em que trabalham e que é um patrimônio do Catete e do Brasil.
"Deixou um rastro". Assim o arquiteto urbanista Raul Bueno classifica o impacto negativo causado pelas obras do metrô na região do Catete, Largo do Machado e Flamengo. "O exemplo clássico do Largo do Machado é o Detran atrás do Cinema São Luiz. Toda a quadra sofreu diversas demolições que não precisariam ocorrer caso o metrô tivesse sido mais bem planejado", opina Raul. A falta de planejamento conduziu a um outro problema, que a região convive até os dias de hoje: vazios subutilizados mesmo 30 anos após a inauguração das estações de metrô. Entre outras mazelas, esses 'buracos' trouxeram insegurança para a área, especialmente na estação Flamengo, onde todos os edifícios deram costas a rua Paulo VI, deixando toda uma rua abandonada.
Para reorganizar o bairro e aumentar a circulação de pessoas pelas ruas, Raul defende um urbanismo que não seja dedicado aos automóveis. O arquiteto assina, ao lado de Adriana Sansão e Raphael Pinheiro, uma solução que transforma vagas de estacionamento em espaços de convivência (os chamados parklets) na rua Barão do Flamengo. Para quem ainda não ouviu falar, o parklet é uma extensão da calçada que se assemelha a uma minipraça equipada com bancos, mesas, árvores ou um bicicletário. A instalação dessas áreas no lugar de vagas já está sendo autorizada pela Prefeitura do Rio, que criou o programa Paradas Cariocas para que empresas, comerciantes e também os moradores da região assumam a instalação, manutenção e remoção dessas plataformas.
Batemos um papo com Raul para entender melhor a função desses parklets e outras soluções urbanísticas possíveis que beneficiariam o entorno do Largo do Machado.
-Por que planejar espaços de convivência no lugar de vagas para automóveis? O paradigma do planejamento urbano foi sempre voltado para o automóvel e para os ônibus. Existe a necessidade de tantas vagas dedicadas a automóveis? Se todo mundo quiser andar de carro, não vai dar. A cidade já está parando. O percurso que você faz em velocidade média já é bem inferior a 20 km/h. Na hora do rush, a velocidade é bem menor. Os projetos ainda são feitos para passar uma avenida que só servirá aos automóveis. E isso não é "tudo bem", porque não leva em consideração que a maioria das pessoas não tem automóvel. Não há uma visão do poder público de que a rua é um lugar também para as pessoas, ou que a rua é ainda mais segura com as pessoas.
-Algumas ruas do Catete sofrem até hoje com o abandono causado pelo metrô... A partir da estação do Catete até o Flamengo, fica bem claro o rastro deixado por essas obras. Quando você observa a rua Paulo VI, por exemplo, ela é uma praticamente rua vazia. Uma rua que ficou com uma característica de corredor: um muro sem acesso, sem janela e porta, um lugar sem um uso. A maior parte da rua tem essa configuração, só os fundos dos edifícios voltados para ela. E rua com pouca gente circulando por ela fica perigosa. Mesmo aquele terreno que tem acesso da Paulo VI e Marques de Abrantes, não há nada voltado para ele, não há lojas, portarias. Todos os edifícios deram costas a Paulo VI, deixando toda uma rua abandonada! Outro vazio deixado pelo metrô: uma praça entre a São Salvador e a Marques de Abrantes. Por que essa praça não deu certo? Quando você olha, nenhum edifício dá acesso para ela.
-Já na rua Barão do Flamengo, existem lojas e prédios voltados para ela. Qual seria a função da intervenção que você propõe para ali? Transformar a rua num lugar mais seguro, mais vivo para as pessoas. Você não tem ali uma vida urbana tão intensa quanto poderia ter, dado ao excesso de vagas. Sempre tem gente no Tacacá do Norte, nos barzinhos do entorno, mas podia ser um espaço muito mais confortável para as pessoas se você tirasse 10% das vagas para automóveis ali existentes. Esse tipo de urbanismo de micro-escala que chamamos de parklet funciona na base do 'feed back': se der errado, dá para desfazer, de forma bem simples.
-Os parklets podem causar polêmica? De onde vem a resistência? Sim, assim como alguns poucos reclamaram das bicicletas, também podem chiar sobre a adoção dos parklets. Precisamos abrir mão de expressões como 'moleque de rua'. Rever esse sonho do condomínio, de que seria melhor criar um lugar como se fosse uma cidade muito pequena, para ficar mais seguro criar as crianças, para as crianças poderem ir a pé para a casa dos amigos. Mas o condomínio não é uma cidade. Por que a cidade não pode ser um grande condomínio das crianças?
- O que ainda falta para a adoção esses espaços? Os moradores, comerciantes e a comunidade assumirem que o parklet é uma coisa possível. Agora já existe um canal oficial para quem é proprietário de uma loja/bar/estabelecimento comercial pedir autorização para a instalação de um parklet. É muito melhor colocar mesinhas no lugar de vaga de automóvel e não atrapalha a circulação de pedestres, deixa o passeio livre. A prefeitura já tem dado espaço para isso. Também é preciso melhorar a qualidade do passeio (das calçadas). As ruas não foram planejadas para idosos que vão fazer compras no supermercado, ou para quem leva o bebê para passear no carrinho, nem mesmo para quem vai andar de bicicleta. Existe dificuldade em circular pelos passeios, e o uso deles tem que ser cotidiano, não é só para o final de semana, uma vez por mês. É para o dia a dia das pessoas. Mesmo em áreas que já passaram pelo Rio-Cidade (projeto urbanístico dos anos 90), as calçadas não são confortáveis. Se já sentimos falta disso aqui no Catete, Flamengo, o que dirá em outros locais da cidade, como Madureira, Santa Cruz?
Você sabia que uma vaga de carro corresponde a 10 árvores ou bancos para até 12 pessoas ou um bicicletário para 12 bikes?
Veja detalhes do projeto para a rua Barão do Flamengo citado na matéria, neste link.
Raul Bueno é arquiteto urbanista na De Fournier & Associados e leciona no Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio. Ao projetar, busca o equilíbrio da cidade com o meio ambiente. Mora no Rio de Janeiro e é um ciclista inveterado. Só falta pedalar da Gávea ao Fundão.